Dog do Marcelo

November 27, 2008

Quando eu entrei no Mackenzie, o lugar que eu fazia meus lanches, na hora do intervalo, era a barraquinha do Márcio. Arrisco a dizer que na barraquinha do Márcio era vendido o melhor X-bacon de São Paulo. Saí por outros lugares, cheguei a pagar R$8.00 reais por um X-bacon, mas nenhum era comparável ao do Márcio (acredito que ele possuía alguma "vitamina S" que é desconhecida pelos outros estabelecimentos). Tranquei, por um semestre, a faculdade e quando voltei a barraquinha do Márcio não estava mais lá.

Tive que então procurar outro lugar para fazer meus lanches. Foi aí que eu encontrei o Dog do Marcelo. Frequentei durantes duas semanas seguidas, pedindo sempre o número dois sem mostarda. Na terceira semana, eu achei que já era amigo do Marcelo e de sua mulher, então resolvei pedir:

 

- Opa, o de sempre, amigão!


Com um olhar um pouco estranho, ele me indagou:

- Qual é o de sempre?
- O número dois. Sem mostarda …
- disse eu, cabisbaixo.

 

 

A partir daquele dia, ele me conheceu. Hoje, todos os dias, quando eu chego lá, ele me diz com um sorriso no rosto: número dois, sem mostarda? E, logo em seguida, sua mulher me cumprimenta com um boa noite.

E a barraquinha do Dog do Marcelo, eu frequento há quase um ano. Aprendi a comer um cachorro quente como gente grande, sem me sujar e sem fazer lambança.

O problema é que semanas há atrás, eu cheguei, o Marcelo me perguntou se era o número dois, sem mostarda, e fiquei esperando na fila. Comecei a ouvir a conversa de duas garotas e um cara que tinham um estilo um pouco diferente. Eram aquelas mulheres que gostam de raspar a cabeça para se sentir modernas. E o cara, o cara, acho que era calvo mesmo.

Elas então começaram a falar sobre uma gorda que pesava 300kilos e queria entrar para o rolê. E que ela foi proibida de entrar porque na primeira treta - palavras da própria menina com cabeça raspada - ela não conseguiria correr e teria o rosto chutado até ficar deformado.

Que papo estranho, pensei comigo. E comecei a olhar um pouco para o lado para ver como eles realmente eram. Eles usavam cuturnos e uma das meninas tinha a suástica tatuada no braço. Eles começaram a olhar para mim também. Só que com um olhar desaprovador. Começaram a cochicar, em vez de continuar com a conversa no tom de voz normal que estavam.

De repente, o cara calvo se levantou e me perguntou:

- Aí, mano. O que cê tá olhando?
- Oi?
- Isso mesmo, seu negro safado.
- Nada. Só gostei da tatuagem dela.
- Ah é? Então você vai tomar um coro, só porque é negro.

A menina que tinha a suástica tatuada no braço levantou-se  e resolveu intervir na discussão. Ela disse a ele que não me considerava negro, por isso não era para me bater. A outra menina, que era gordinha, mas não pesava 300kilos, ficou indecisa. Disse que meu cabelo era carapinho, coisa de negro primitivo, mas meu tom de pele era branco, por isso não sabia o que fazer. Eles então perguntaram de qual estado era o meu pai. E, porra, até então, eu não tinha me tocado que eles eram skinheads, por isso disse a verdade. Meu pai é da Paraíba, véi.

Marcelo, percebendo, que a situação estava… preta, resolveu chegar lá para acalmar os ânimos da galerinha skinhead. Tomei um tapa na cabeça por ser filho de um paraíbano, mas em compensação ganhei a conta da barraquinha do Marcelo. E ele me pagou em espécie: ganhei um cachorro quente de graça em troca de uns posts aqui no blog!

Informações: 
Barraquinha do Marcelo: Rua Itambé. Próximo ao segundo portão do Mackenzie:
Número dois sem mostarda: R$ 2.30
Atendimento: Nota 9.5 - Falta um cafuné, né?

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